Desvendando a história

Idades da história é um livro acerca da história da História, ou melhor, de um título sobre a dinâmica do pensamento histórico-ocidental. O autor Marcos Antonio Lopes demonstra algumas variações de formas de escrita e de diferentes gêneros de narrativas. Pesquisador e escritor de obras que pertencem ao campo, da historiografia e dos debates teóricos da área, ele explica que o tema foi escolhido devido à demanda da comunidade acadêmica. "Há alunos em processo de formação intelectual que requerem esse tipo de leitura. Em síntese, há relevância de tal tema e existe público para ele, ainda que um pouco restrito. Em meu modo de entender as coisas, esses são dois aspectos vitais do por que escrever esse livro", enfatiza.

Em entrevista, Lopes diz que a publicação reúne ensaios concebidos em diferentes momentos de sua carreira universitária, ou seja, ao longo de um período de cinco anos. Os ensaios foram reunidos em um título pela singularidade comum dos objetos retratados, as variações na forma de se conceber a história ao longo de, digamos, uns 300 ou 400 anos. Lançado na última Feira do Livro de Porto Alegre, Idades da história é direcionado especialmente aos acadêmicos e será útil para pesquisas sobre as concepções em torno da historiografia.

Marcos Antonio Lopes dá mais detalhes sobre a obra e a produção intelectual:

Qual sua expectativa sobre "Idades da História"?
Marcos Antonio Lopes:
Gostaria que o livro fosse verdadeiramente útil a alunos de graduação em História.

Que tipo de pesquisa foi feita para o desenvolvimento de Idades da história?
Marcos Antonio Lopes:
Pesquisa bibliográfica, mas que implica fundamentalmente a leitura de textos de época que documentam acerca de antigas concepções de história, ou seja, livros dos séculos XVI, XVII e XVIII. Essa é a parte mais interessante do trabalho, e que acaba funcionando como um convite aos leitores para que ampliem suas leituras a essas fontes.

Como leitor, algum livro marcou sua vida?
Marcos Antonio Lopes:
Dois livros alteraram minha percepção do mundo e, neste sentido, constituem minhas experiências capitais como leitor. Essas obras "transformadoras" ou "reveladoras" são Dom Quixote, do incomparável Cervantes, e os ensaios do filósofo quinhentista Michel de Montaigne. Trata-se de duas grandes usinas de idéias e creio que aí se concentra o que existe de essencial sobre o homem.

Qual a maior dificuldade desde a decisão de escrever um livro até o momento de seu lançamento?
Marcos Antonio Lopes:
A meu ver, é a dificuldade de estabelecer uma modulação entre o tempo mais rápido do autor e o tempo excessivamente longo do editor. Na percepção autoral, essa diferença gera certo desconforto e, no limite, provoca muita ansiedade e até alguma frustração.

Texto produzido por Camila Berthier, aluna da disciplina de Assessoria de Imprensa/Curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS (Famecos)