Vivemos em uma sociedade da aprendizagem, na qual aprender constitui uma exigência social crescente que conduz a um paradoxo: cada vez se aprende mais e cada vez precisamos aprender mais. Precisamos aprender sempre.
Essas demandas crescentes de aprendizagem produzem-se no contexto de uma suposta sociedade do conhecimento, que não apenas exige que mais pessoas aprendam cada vez mais, mas que o façam de forma diferenciada, no âmbito de uma nova forma de conceber e gerir o conhecimento, seja da perspectiva cognitiva, social ou cultural1.
A informação só se converte em uma verdadeira sociedade de conhecimento para aqueles que puderem ter acesso às capacidades que permitem desentranhar e ordenar essa informação.2 Assim, formar cidadãos para uma sociedade aberta e democrática é permitir utilizar estrategicamente a informação - que parece fluir de maneira caótica em muitos espaços sociais – tentando transformá-la em conhecimento verdadeiro e em um saber razoavelmente ordenado3.
Acreditamos que não existem mais saberes ou pontos de vista. Vivemos na era da incerteza4, na qual, mais do que aprender verdades estabelecidas e indiscutíveis, é necessário aprender a conviver cada vez mais intimamente com a diversidade.
Não é mais possível a Educação propiciar aos alunos conhecimentos como se fossem verdades acabadas; pelo contrário, a Educação deve ajudá-los a construir seu próprio ponto de vista, sua verdade particular a partir de tantas e variadas verdades parciais. Como diz Morin5 "conhecer e pensar não significa chegar à verdade absolutamente certa, mas sim, dialogar com a incerteza".
Segundo Pozo6 "o sistema educacional pode formar os futuros cidadãos para que sejam aprendizes mais flexíveis, eficazes e autônomos, dotando-os de estratégias de aprendizagem adequadas, fazendo deles pessoas capazes de enfrentar novas e imprevisíveis demandas de aprendizagem".
Desta forma, converter os sistemas culturais de ideação e representação em instrumentos de conhecimento, requer apropriar-se de novas formas de aprender e de relacionar-se com o conhecimento. Esse é um dos maiores desafios a ser enfrentado por nossos sistemas educacionais nas próximas décadas.
A Educação Continuada deve abordar, assim, aspectos diferentes e plurais da vida dos seres humanos, sejam eles econômicos, de mercado, sociais, educacionais e de formação. Na busca de compreender esses fatores e como eles devem ser compreendidos, surgem diferentes conceitos, entre eles a aprendizagem ao longo da vida, que traduz a necessidade de aprender sempre.
Elaborado pela Assessoria Pedagógica do Centro de Educação Continuada
1 POZO, Juan I. Aprenizes e Mestres: A nova cultura da aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2002.
2 POZO, Juan I. Aprenizes e Mestres: A nova cultura da aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2002.
3 MORIN, Edgar. La mente bien ordenada: repensar la reforma, reformar el pensamiento. Barcelona: Seix Barral, 2001.
4 MORIN, Edgar. La mente bien ordenada: repensar la reforma, reformar el pensamiento. Barcelona: Seix Barral, 2001.
5 MORIN, Edgar. La mente bien ordenada: repensar la reforma, reformar el pensamiento. Barcelona: Seix Barral, 2001.
6 POZO, Juan I. A sociedade da aprendizagem e o desafio de converter informação em conhecimento. Revista Pátio – ANO VIII N° 31 Agosto/Outubro 2004 – Porto Alegre: Artmed.
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