Caracterização da dissertação como gênero de obra filosófica, em suas diversas fases de elaboração: definição e formulação do problema de pesquisa, identificação do método de investigação, visualização do plano de desenvolvimento da dissertação, escolha das referências bibliográficas e redação do projeto atendendo as exigências dos órgãos financiadores de pesquisa. Realização de seminários sobre os gêneros filosóficos, literários e científicos, sobre leitura de textos filosóficos, sobre modalidades de acesso à literatura filosófica (obras de referência, livros e periódicos), sobre redação e estilo de textos filosóficos, sobre o trabalho com edições críticas de obras de filósofos e de comentaristas.
Após a erosão dos ideais humanos avançados pelo idealismo e romantismo e conseqüente desencanto, sobreveio a chamada crise dos humanismos. O século XX notabiliza-se pelo embate e busca de novas propostas humanísticas, sobretudo com Husserl, Heidegger, Sartre, Ricoeur, entre outros. Teoricamente, todas elas são perpassadas por uma concepção de ser humano que tem em comum a visada de ser auto-suficiente em busca de sua emancipação e autonomia. Será possível pensar o ser de outra forma e, consequentemente, repensar as suas relações, sejam quais forem, de forma a fazer aparecer um novo sentido para o homem e seu processo de humanização, com conseqüências na ordem da sociedade, da política, da economia, da educação e assim por diante?
DIALÉTICA NEGATIVA & MITOLOGIA BRANCA: POR UMA CRÍTICA DAS RAZÕES NEBULOSAS
Os tempos que correm assistem a uma estranha teratologia do pensar; os discursos mais rasteiros assumem, por efeito de sofisticados mecanismos de escamoteamento do que os motiva e os sustenta e a que servem , uma credibilidade ideológica ofensiva à Filosofia, que se constituiu desde sempre e perdura como crítica das razões. Há, pois, que remobilizar a potência da crítica desde a recombinação de seus núcleos mais vigorosos, que tragam à tona as lógicas de legitimação do que em si não se sustenta. Para tal, a combinação inusual do pensamento de Adorno, especificamente na Dialética negativa, com o Derrida de A mitologia branca, entre outros, é de especial fecundidade. O Seminário, aberto a todos os interessados, estudará a obra magna de T. Adorno Dialética negativa em contraponto com textos de Derrida e outros autores, no interesse de expor arqueológica e genealogicamente em que sentido é hoje especialmente válida a expressão adorniana segundo a qual onde o pensar é realmente produtivo, onde é criador, ali ele sempre é também um reagir.
A difusão de categorias como Solidariedade e, especialmente, Alteridade para além do âmbito estrito da filosofia acadêmica, alcançando os mais diversos campos do saber e das ciências históricas e sociais aplicadas, se, por um lado, evidencia a receptividade social contemporânea ao sentido lato dessas noções, por outro exige o aprofundamento filosófico de sua especificidade em termos de gênese, contextualização, solidez conceitual e eventual aplicabilidade teórica e prática. A proposta do presente Seminário é evidenciar como, no conceito de estrangeiro, tem-se uma chave de abordagem conseqüente do sentido geral das referidas categorias no cruzamento do conjunto do pensamento de Emmanuel Levinas e da culminância da obra de Jacques Derrida.
I
1. Na Filosofia temos que respeitar os limites dos paradigmas.
2. Paradigma como matriz disciplinar.
3. Metáforas como identificadores de paradigmas.
4. O exemplar, o caso, a tese como guia do método de investigação.
5. Método e procedimentos.
II
6. Apresentação individual de capítulos das teses.
7. Avaliação pública pelo professor.
8. Discussão.
III
9. Uma tese constitui uma espécie de silogismo.
10. A premissa maior é o estado da questão (Geral)
11. A premissa menor introduz a novidade da tese (Termo Médio)
12. A conclusão tira as conseqüências da compatibilidade entre a afirmação geral e o novo que se pretende desenvolver.
IV
13. Teses não podem ser, o que muitas vezes são, apenas uma das instâncias.
Introdução à Epistemologia de Grupos. Reflexão sobre a emergência dos estudos sobre agência coletiva na epistemologia e sobre a agência epistêmica de entidades coletivas. Introdução à discussão sobre sujeitos plurais. Compreensão dos conceitos de crença coletiva, aceitação conjunta, compromisso conjunto e do papel que tais conceitos ocupam na discussão que emerge da atribuição de conhecimento a entidades coletivas, sobretudo grupos e comunidades. Discussão sobre a natureza e o caráter epistêmico de (a) crenças de grupo, (b) justificação de crenças de grupo, (c) conhecimento de grupo e (d) agência epistêmica coletiva.
A disciplina expõe as raízes dialéticas do falibilismo generalizado a partir de dois movimentos complementares: a) a reatualização das críticas ao mito do dado e ao mito do quadro referencial em epistemologia na Fenomenologia hegeliana; b) a reconstrução histórico-sistemática da epistemologia da ciência no século XX.
Thomas Reid (1710-1796) é o fundador da Escola Escocesa da Filosofia do Senso Comum. Como aspecto marcante de sua teoria do conhecimento, e ao mesmo tempo elemento central de sua réplica ao ceticismo, encontra-se a rejeição da teoria comum das ideias. Tendo sido exposta em diversos de seus escritos, Thomas Reid chega a dizer que a rejeição da teoria comum das ideias é, por si, suficiente para responder aos argumentos ou às ameaças céticas (sobre o mundo exterior) encontradas na filosofia de René Descartes, George Berkeley, David Hume, etc. A maioria dos autores, porém, partilha a convicção de que, embora essa primeira rejeição seja central e emblemática no pensamento de Reid, ela é na realidade apenas um elemento dentro de uma teoria mais extensa, a saber, um elemento que, somado a outros, pode efetivamente constituir uma teoria externalista forte contra o ceticismo. Essa teoria incluiria ainda (e com necessidade) os seguintes elementos: (a) a teoria da percepção de Thomas Reid; (b) a teoria da evidência de Reid, que inclui o estudo explícito e a interpretação cheia de dificuldades implícitas da teoria dos primeiros princípios do senso comum, e ainda (c) aspectos importantes da metodologia filosófica de Reid. Na linha de intérpretes contemporâneos, a teoria do conhecimento de Thomas Reid, ao tomar esses quatro elementos em conjunto, constitui uma estratégia filosófica poderosa contra o ceticismo. Além dos méritos que em si podem apresentar ao pensamento filosófico, os itens da epistemologia reidiana somam-se, atualmente, a teorias externalistas sobre o conhecimento e a justificação de crenças, auxiliando a estabelecer bases do que hoje são epistemologias de função própria dos diversos mecanismos de obtenção de crença.
Num tempo em que a idéia de natureza retorna na filosofia, longe das concepções clássicas, e diretamente desafiada a entrar em contato com o naturalismo nas ciências, impõem-se retomar a visão que a fenomenologia trouxe com separação entre atitude natural e atitude fenomenológica, mundo natural e mundo da compreensão, levando à uma nova interpretação do conceito da relação entre mundo e natureza, que se afasta do conceito naturalista. Mundo, portanto passa a ser interpretado antropologicamente o que quer dizer que o ser humano já está sempre fora do mundo natural porque o envolve numa compreensão que o situa num contexto de referência. Mundo se constitui como lugar que se dá o modo de ser e a estrutura própria do ser humano, onde esse se compreende envolvido consigo mesmo, lidando com os entes disponíveis e operando cientificamente com a realidade simplesmente subsistente.
Heideger, M. Conceitos Fundamentais da Metafísica Mundo, Finitude, Solidão.
Heideger, M. Ser e tempo.
Rothacker, E. Antropologia Filosófica;
Scheler, M. A Posição do Homem no Cosmos;
Plessner, H. Conditio Humana;
Stein, E. Antropologia Filosófica, questões Epistemológicas;
Plantinga, A. Ensaios Diversos.
Trata-se de revisitar o problema da justiça através de leituras contemporâneas que retomam a crítica de Hegel a Kant, assim como a abordagem da fenomenologia e da hermenêutica, em autores como Michel Foucault, John Rawls, Jürgen Habermas e Axel Honneth. Partiremos das recepções de duas das mais importantes obras sobre a articulação entre Ontologia e Subjetividade Fenomenologia do Espírito (1807) de Hegel e Ser e Tempo (1927) de Heidegger para melhor entendermos os debates atuais em torno da Teoria da Justiça e da Teoria Crítica sobre os modelos liberais e os modelos comunitaristas e em que medida pode-se ainda defender uma fenomenologia hermenêutica da justiça.
Trata-se de revisitar a formulação do problema da justiça através de leituras dos dois mais importantes representantes da Teoria Crítica contemporânea (Escola de Frankfurt): Jürgen Habermas e Axel Honneth, sobretudo à luz das suas respectivas apropriações de Kant e Hegel, assim como das suas interlocuções com a fenomenologia francesa, a hermenêutica e a desconstrução em torno da questão do poder e da alteridade (esp. Emmanuel Levinas, Paul Ricoeur, Michel Foucault, Jacques Derrida). O seminário dá continuidade ao trabalho de pesquisa desenvolvido sobre os debates atuais em torno da Teoria da Justiça e da Teoria Crítica sobre os modelos liberais e os modelos comunitaristas e em que medida pode-se ainda defender uma fenomenologia hermenêutica da justiça.
Explicitação da busca e determinação do princípio supremo de moralidade em Kant. Caracterização da concepção de autonomia moral de Kant e de autonomia política de Rawls. Discussão do alcance de uma concepção política de justiça em sua aplicação. Estabelecimento da distinção entre autonomia racional e autonomia política. Caracterização da justiça procedimental pura.
Abordagem jusfilosófica da teoria do reconhecimento e teorias da justiça em diálogo com Hegel, Honneth e Kervégan
Objetivo: Estudar a Filosofia do Direito, atualizando o debate sobre o reconhecimento e a justiça, segundo as abordagens dos intérpretes.
Caracterização do movimento triádico da dialética como método e sistema em Hegel. Confronto entre as concepções de dialética de Hegel e Popper. Discussão sobre a Idéia da liberdade como princípio orientador e fundamentador da Filosofia do Direito. Explicitação do que é necessário e do que é contingente nas diferentes formas de concretização do conceito do Direito. Discussão sobre a possibilidade da liberdade dentro da tese Hegeliana segundo a qual a razão governa a história.
Estudo interdisciplinar das Relações Internacionais na Filosofia Política Moderna e Contemporânea e a Teoria das Relações Internacionais. Estudo dos textos clássicos de Filosofia Política que tratam das relações entre os povos e Estados. Análise das principais correntes teóricas que interpretam as Relações Internacionais e o conceito de soberania, tendo como problema subjacente: O que pode a economia na política? Leitura segundo o método hermenêutico-dialético conectando teoria e prática.
Nosso programa de pesquisa interdisciplinar tem procurado explorar 3 eixos de forma mais ou
menos independente, ao mesmo tempo em que investiga se há alguma correlação entre eles:
1. normatividade ético-social: esp. teorias da justiça
2. epistemologia das ciências sociais: e.g., teoria crítica, epistemologia moral/social
3. modernidade: e.g., ethos social moderno, ethos democrático brasileiro
Neste seminário, devemos explorar dois problemas que unem a concepção moderna de liberdade
(e seus correlatos iluministas de autonomia, emancipação e progresso) a formulações empíricas,
analíticas e continentais das ciências sociais e do naturalismo em torno do problema da
normatividade, à luz de textos representativos de Jürgen Habermas (Entre Naturalismo e
Religião, esp. cap. 6), Jesse Prinz (The Emotional Construction of Morals) e Axel Honneth (Das
Recht der Freiheit). Em particular, será investigada a articulação entre normatividade
epistêmico-teórica e prático-moral e o problema do dualismo e monismo em filosofia da mente.
Desde Hume, costuma-se entender a normatividade como uma concepção prescritiva (em termos
de "ought"), que não pode ser inferida a partir de premissas ou de constatações descritivas (sobre
o que há ou o que é, "is"). Inicialmente desenvolvemos essa linha de pesquisa em função do
problema ético da justificativa de proposições morais prescritivas (tanto em termos metaéticos
quanto ético-substantivos e aplicados). As contribuições de Rawls e Habermas para as suas
respectivas formulações do "equilíbrio reflexivo" e da "teoria do agir discursivo" para uma teoria
da justiça e uma teoria do mundo da vida social balizaram as nossas pesquisas em filosofia social
desde 1995. Uma conclusão provisória se identifica como uma versão do "construcionismo
social mitigado", cujas premissas e teses provisórias podem ser elencadas de forma a elucidar um
"perspectivismo pragmático-formal": anti-intuicionista, anti-realista, semântico-pragmático,
contextualista. Cremos que, como mostraram Dewey, Rawls, Habermas e Honneth, o propósito
maior da ética não é estabelecer princípios morais universais mas resolver problemas práticos, no
sentido aristotélico de praxis e de práticas sociais intersubjetivas, culturais, interpessoais e
institucionais por exemplo, nas relações entre seres humanos em família, associações,
organizações, sociedade e instituições sociais de uma maneira geral.
Segundo Habermas, uma versão fraca ou mitigada de naturalismo seria a única viável de acordo
com um perspectivismo pragmático-formal que viabilize um universalismo moral em resposta ao
relativismo cultural, onde a religião e a moral podem ser compreendidas enquanto representação
social coletiva de um desideratum normativo (de forma análoga a um certo relativismo moral).
Neste caso, a religião e a moral se constituem em "exemplos de correlatos não-explicitados do
mundo da vida, na medida em que mecanismos sutis de internalização, assimilação, sublimação,
repressão, castração, domesticação, racionalização e auto-engano se justapõem e se
complementam no complexo processo de reprodução social". Num certo sentido, somente uma
concepção coerentista poderia dar conta de um sistema de crenças que se mantêm em equilíbrio
reflexivo na própria busca de uma justificação epistêmico-normativa.
Propomo-nos a reexaminar problemas de normatividade e naturalismo na interface entre
abordagens metaéticas e de filosofia da mente de forma a tornar relevante para uma releitura
teórico-crítica da filosofia social (esp. em autores como Habermas e Honneth) abordagens da
filosofia analítica, particularmente em epistemologia social e neurociências. Para tanto, servimonos
da instigante contribuição de Jesse Prinz sobre o inatismo e a origem biológica das emoções
e dos sentimentos morais. A nossa hipótese de trabalho é que o intuicion
A disciplina apresenta uma abordagem histórico-sistemática da Filosofia da Ciência, ao mesmo tempo reconstruindo a trajetória da disciplina - desde suas origens no positivismo lógico até a crítica demolidora de Feyerabend - e oferecendo uma visão contemporânea plausível do que vem a ser ciência.
Platão vive tragicamente o momento político de Atenas. Vendo o homem e o Estado intimamente vinculados, Platão, ao refletir sobre o Estado, reflete também sobre o homem. Na intenção de fundamentar ambos em base comum, reexamina ética, poética, retórica, antropologia e ontologia, áreas que alicerçam futuras indagações. Esta unidade levará em conta os seguintes diálogos: A República, O Banquete, Alcibíades, Fedro, Íon, O político, As Leis, As Cartas.
Eletivas - Mestrado(Clique em "nome" para ver a ementa)
Após a erosão dos ideais humanos avançados pelo idealismo e romantismo e conseqüente desencanto, sobreveio a chamada crise dos humanismos. O século XX notabiliza-se pelo embate e busca de novas propostas humanísticas, sobretudo com Husserl, Heidegger, Sartre, Ricoeur, entre outros. Teoricamente, todas elas são perpassadas por uma concepção de ser humano que tem em comum a visada de ser auto-suficiente em busca de sua emancipação e autonomia. Será possível pensar o ser de outra forma e, consequentemente, repensar as suas relações, sejam quais forem, de forma a fazer aparecer um novo sentido para o homem e seu processo de humanização, com conseqüências na ordem da sociedade, da política, da economia, da educação e assim por diante?
DIALÉTICA NEGATIVA & MITOLOGIA BRANCA: POR UMA CRÍTICA DAS RAZÕES NEBULOSAS
Os tempos que correm assistem a uma estranha teratologia do pensar; os discursos mais rasteiros assumem, por efeito de sofisticados mecanismos de escamoteamento do que os motiva e os sustenta e a que servem , uma credibilidade ideológica ofensiva à Filosofia, que se constituiu desde sempre e perdura como crítica das razões. Há, pois, que remobilizar a potência da crítica desde a recombinação de seus núcleos mais vigorosos, que tragam à tona as lógicas de legitimação do que em si não se sustenta. Para tal, a combinação inusual do pensamento de Adorno, especificamente na Dialética negativa, com o Derrida de A mitologia branca, entre outros, é de especial fecundidade. O Seminário, aberto a todos os interessados, estudará a obra magna de T. Adorno Dialética negativa em contraponto com textos de Derrida e outros autores, no interesse de expor arqueológica e genealogicamente em que sentido é hoje especialmente válida a expressão adorniana segundo a qual onde o pensar é realmente produtivo, onde é criador, ali ele sempre é também um reagir.
A difusão de categorias como Solidariedade e, especialmente, Alteridade para além do âmbito estrito da filosofia acadêmica, alcançando os mais diversos campos do saber e das ciências históricas e sociais aplicadas, se, por um lado, evidencia a receptividade social contemporânea ao sentido lato dessas noções, por outro exige o aprofundamento filosófico de sua especificidade em termos de gênese, contextualização, solidez conceitual e eventual aplicabilidade teórica e prática. A proposta do presente Seminário é evidenciar como, no conceito de estrangeiro, tem-se uma chave de abordagem conseqüente do sentido geral das referidas categorias no cruzamento do conjunto do pensamento de Emmanuel Levinas e da culminância da obra de Jacques Derrida.
I
1. Na Filosofia temos que respeitar os limites dos paradigmas.
2. Paradigma como matriz disciplinar.
3. Metáforas como identificadores de paradigmas.
4. O exemplar, o caso, a tese como guia do método de investigação.
5. Método e procedimentos.
II
6. Apresentação individual de capítulos das teses.
7. Avaliação pública pelo professor.
8. Discussão.
III
9. Uma tese constitui uma espécie de silogismo.
10. A premissa maior é o estado da questão (Geral)
11. A premissa menor introduz a novidade da tese (Termo Médio)
12. A conclusão tira as conseqüências da compatibilidade entre a afirmação geral e o novo que se pretende desenvolver.
IV
13. Teses não podem ser, o que muitas vezes são, apenas uma das instâncias.
Introdução à Epistemologia de Grupos. Reflexão sobre a emergência dos estudos sobre agência coletiva na epistemologia e sobre a agência epistêmica de entidades coletivas. Introdução à discussão sobre sujeitos plurais. Compreensão dos conceitos de crença coletiva, aceitação conjunta, compromisso conjunto e do papel que tais conceitos ocupam na discussão que emerge da atribuição de conhecimento a entidades coletivas, sobretudo grupos e comunidades. Discussão sobre a natureza e o caráter epistêmico de (a) crenças de grupo, (b) justificação de crenças de grupo, (c) conhecimento de grupo e (d) agência epistêmica coletiva.
A disciplina expõe as raízes dialéticas do falibilismo generalizado a partir de dois movimentos complementares: a) a reatualização das críticas ao mito do dado e ao mito do quadro referencial em epistemologia na Fenomenologia hegeliana; b) a reconstrução histórico-sistemática da epistemologia da ciência no século XX.
Thomas Reid (1710-1796) é o fundador da Escola Escocesa da Filosofia do Senso Comum. Como aspecto marcante de sua teoria do conhecimento, e ao mesmo tempo elemento central de sua réplica ao ceticismo, encontra-se a rejeição da teoria comum das ideias. Tendo sido exposta em diversos de seus escritos, Thomas Reid chega a dizer que a rejeição da teoria comum das ideias é, por si, suficiente para responder aos argumentos ou às ameaças céticas (sobre o mundo exterior) encontradas na filosofia de René Descartes, George Berkeley, David Hume, etc. A maioria dos autores, porém, partilha a convicção de que, embora essa primeira rejeição seja central e emblemática no pensamento de Reid, ela é na realidade apenas um elemento dentro de uma teoria mais extensa, a saber, um elemento que, somado a outros, pode efetivamente constituir uma teoria externalista forte contra o ceticismo. Essa teoria incluiria ainda (e com necessidade) os seguintes elementos: (a) a teoria da percepção de Thomas Reid; (b) a teoria da evidência de Reid, que inclui o estudo explícito e a interpretação cheia de dificuldades implícitas da teoria dos primeiros princípios do senso comum, e ainda (c) aspectos importantes da metodologia filosófica de Reid. Na linha de intérpretes contemporâneos, a teoria do conhecimento de Thomas Reid, ao tomar esses quatro elementos em conjunto, constitui uma estratégia filosófica poderosa contra o ceticismo. Além dos méritos que em si podem apresentar ao pensamento filosófico, os itens da epistemologia reidiana somam-se, atualmente, a teorias externalistas sobre o conhecimento e a justificação de crenças, auxiliando a estabelecer bases do que hoje são epistemologias de função própria dos diversos mecanismos de obtenção de crença.
Num tempo em que a idéia de natureza retorna na filosofia, longe das concepções clássicas, e diretamente desafiada a entrar em contato com o naturalismo nas ciências, impõem-se retomar a visão que a fenomenologia trouxe com separação entre atitude natural e atitude fenomenológica, mundo natural e mundo da compreensão, levando à uma nova interpretação do conceito da relação entre mundo e natureza, que se afasta do conceito naturalista. Mundo, portanto passa a ser interpretado antropologicamente o que quer dizer que o ser humano já está sempre fora do mundo natural porque o envolve numa compreensão que o situa num contexto de referência. Mundo se constitui como lugar que se dá o modo de ser e a estrutura própria do ser humano, onde esse se compreende envolvido consigo mesmo, lidando com os entes disponíveis e operando cientificamente com a realidade simplesmente subsistente.
Heideger, M. Conceitos Fundamentais da Metafísica Mundo, Finitude, Solidão.
Heideger, M. Ser e tempo.
Rothacker, E. Antropologia Filosófica;
Scheler, M. A Posição do Homem no Cosmos;
Plessner, H. Conditio Humana;
Stein, E. Antropologia Filosófica, questões Epistemológicas;
Plantinga, A. Ensaios Diversos.
Trata-se de revisitar o problema da justiça através de leituras contemporâneas que retomam a crítica de Hegel a Kant, assim como a abordagem da fenomenologia e da hermenêutica, em autores como Michel Foucault, John Rawls, Jürgen Habermas e Axel Honneth. Partiremos das recepções de duas das mais importantes obras sobre a articulação entre Ontologia e Subjetividade Fenomenologia do Espírito (1807) de Hegel e Ser e Tempo (1927) de Heidegger para melhor entendermos os debates atuais em torno da Teoria da Justiça e da Teoria Crítica sobre os modelos liberais e os modelos comunitaristas e em que medida pode-se ainda defender uma fenomenologia hermenêutica da justiça.
Trata-se de revisitar a formulação do problema da justiça através de leituras dos dois mais importantes representantes da Teoria Crítica contemporânea (Escola de Frankfurt): Jürgen Habermas e Axel Honneth, sobretudo à luz das suas respectivas apropriações de Kant e Hegel, assim como das suas interlocuções com a fenomenologia francesa, a hermenêutica e a desconstrução em torno da questão do poder e da alteridade (esp. Emmanuel Levinas, Paul Ricoeur, Michel Foucault, Jacques Derrida). O seminário dá continuidade ao trabalho de pesquisa desenvolvido sobre os debates atuais em torno da Teoria da Justiça e da Teoria Crítica sobre os modelos liberais e os modelos comunitaristas e em que medida pode-se ainda defender uma fenomenologia hermenêutica da justiça.
Explicitação da busca e determinação do princípio supremo de moralidade em Kant. Caracterização da concepção de autonomia moral de Kant e de autonomia política de Rawls. Discussão do alcance de uma concepção política de justiça em sua aplicação. Estabelecimento da distinção entre autonomia racional e autonomia política. Caracterização da justiça procedimental pura.
Abordagem jusfilosófica da teoria do reconhecimento e teorias da justiça em diálogo com Hegel, Honneth e Kervégan
Objetivo: Estudar a Filosofia do Direito, atualizando o debate sobre o reconhecimento e a justiça, segundo as abordagens dos intérpretes.
Caracterização do movimento triádico da dialética como método e sistema em Hegel. Confronto entre as concepções de dialética de Hegel e Popper. Discussão sobre a Idéia da liberdade como princípio orientador e fundamentador da Filosofia do Direito. Explicitação do que é necessário e do que é contingente nas diferentes formas de concretização do conceito do Direito. Discussão sobre a possibilidade da liberdade dentro da tese Hegeliana segundo a qual a razão governa a história.
Estudo interdisciplinar das Relações Internacionais na Filosofia Política Moderna e Contemporânea e a Teoria das Relações Internacionais. Estudo dos textos clássicos de Filosofia Política que tratam das relações entre os povos e Estados. Análise das principais correntes teóricas que interpretam as Relações Internacionais e o conceito de soberania, tendo como problema subjacente: O que pode a economia na política? Leitura segundo o método hermenêutico-dialético conectando teoria e prática.
Nosso programa de pesquisa interdisciplinar tem procurado explorar 3 eixos de forma mais ou
menos independente, ao mesmo tempo em que investiga se há alguma correlação entre eles:
1. normatividade ético-social: esp. teorias da justiça
2. epistemologia das ciências sociais: e.g., teoria crítica, epistemologia moral/social
3. modernidade: e.g., ethos social moderno, ethos democrático brasileiro
Neste seminário, devemos explorar dois problemas que unem a concepção moderna de liberdade
(e seus correlatos iluministas de autonomia, emancipação e progresso) a formulações empíricas,
analíticas e continentais das ciências sociais e do naturalismo em torno do problema da
normatividade, à luz de textos representativos de Jürgen Habermas (Entre Naturalismo e
Religião, esp. cap. 6), Jesse Prinz (The Emotional Construction of Morals) e Axel Honneth (Das
Recht der Freiheit). Em particular, será investigada a articulação entre normatividade
epistêmico-teórica e prático-moral e o problema do dualismo e monismo em filosofia da mente.
Desde Hume, costuma-se entender a normatividade como uma concepção prescritiva (em termos
de "ought"), que não pode ser inferida a partir de premissas ou de constatações descritivas (sobre
o que há ou o que é, "is"). Inicialmente desenvolvemos essa linha de pesquisa em função do
problema ético da justificativa de proposições morais prescritivas (tanto em termos metaéticos
quanto ético-substantivos e aplicados). As contribuições de Rawls e Habermas para as suas
respectivas formulações do "equilíbrio reflexivo" e da "teoria do agir discursivo" para uma teoria
da justiça e uma teoria do mundo da vida social balizaram as nossas pesquisas em filosofia social
desde 1995. Uma conclusão provisória se identifica como uma versão do "construcionismo
social mitigado", cujas premissas e teses provisórias podem ser elencadas de forma a elucidar um
"perspectivismo pragmático-formal": anti-intuicionista, anti-realista, semântico-pragmático,
contextualista. Cremos que, como mostraram Dewey, Rawls, Habermas e Honneth, o propósito
maior da ética não é estabelecer princípios morais universais mas resolver problemas práticos, no
sentido aristotélico de praxis e de práticas sociais intersubjetivas, culturais, interpessoais e
institucionais por exemplo, nas relações entre seres humanos em família, associações,
organizações, sociedade e instituições sociais de uma maneira geral.
Segundo Habermas, uma versão fraca ou mitigada de naturalismo seria a única viável de acordo
com um perspectivismo pragmático-formal que viabilize um universalismo moral em resposta ao
relativismo cultural, onde a religião e a moral podem ser compreendidas enquanto representação
social coletiva de um desideratum normativo (de forma análoga a um certo relativismo moral).
Neste caso, a religião e a moral se constituem em "exemplos de correlatos não-explicitados do
mundo da vida, na medida em que mecanismos sutis de internalização, assimilação, sublimação,
repressão, castração, domesticação, racionalização e auto-engano se justapõem e se
complementam no complexo processo de reprodução social". Num certo sentido, somente uma
concepção coerentista poderia dar conta de um sistema de crenças que se mantêm em equilíbrio
reflexivo na própria busca de uma justificação epistêmico-normativa.
Propomo-nos a reexaminar problemas de normatividade e naturalismo na interface entre
abordagens metaéticas e de filosofia da mente de forma a tornar relevante para uma releitura
teórico-crítica da filosofia social (esp. em autores como Habermas e Honneth) abordagens da
filosofia analítica, particularmente em epistemologia social e neurociências. Para tanto, servimonos
da instigante contribuição de Jesse Prinz sobre o inatismo e a origem biológica das emoções
e dos sentimentos morais. A nossa hipótese de trabalho é que o intuicion
A disciplina apresenta uma abordagem histórico-sistemática da Filosofia da Ciência, ao mesmo tempo reconstruindo a trajetória da disciplina - desde suas origens no positivismo lógico até a crítica demolidora de Feyerabend - e oferecendo uma visão contemporânea plausível do que vem a ser ciência.
Platão vive tragicamente o momento político de Atenas. Vendo o homem e o Estado intimamente vinculados, Platão, ao refletir sobre o Estado, reflete também sobre o homem. Na intenção de fundamentar ambos em base comum, reexamina ética, poética, retórica, antropologia e ontologia, áreas que alicerçam futuras indagações. Esta unidade levará em conta os seguintes diálogos: A República, O Banquete, Alcibíades, Fedro, Íon, O político, As Leis, As Cartas.
Caracterização da dissertação como gênero de obra filosófica, em suas diversas fases de elaboração: definição e formulação do problema de pesquisa, identificação do método de investigação, visualização do plano de desenvolvimento da dissertação, escolha das referências bibliográficas e redação do projeto atendendo as exigências dos órgãos financiadores de pesquisa. Realização de seminários sobre os gêneros filosóficos, literários e científicos, sobre leitura de textos filosóficos, sobre modalidades de acesso à literatura filosófica (obras de referência, livros e periódicos), sobre redação e estilo de textos filosóficos, sobre o trabalho com edições críticas de obras de filósofos e de comentaristas.
Após a erosão dos ideais humanos avançados pelo idealismo e romantismo e conseqüente desencanto, sobreveio a chamada crise dos humanismos. O século XX notabiliza-se pelo embate e busca de novas propostas humanísticas, sobretudo com Husserl, Heidegger, Sartre, Ricoeur, entre outros. Teoricamente, todas elas são perpassadas por uma concepção de ser humano que tem em comum a visada de ser auto-suficiente em busca de sua emancipação e autonomia. Será possível pensar o ser de outra forma e, consequentemente, repensar as suas relações, sejam quais forem, de forma a fazer aparecer um novo sentido para o homem e seu processo de humanização, com conseqüências na ordem da sociedade, da política, da economia, da educação e assim por diante?
DIALÉTICA NEGATIVA & MITOLOGIA BRANCA: POR UMA CRÍTICA DAS RAZÕES NEBULOSAS
Os tempos que correm assistem a uma estranha teratologia do pensar; os discursos mais rasteiros assumem, por efeito de sofisticados mecanismos de escamoteamento do que os motiva e os sustenta e a que servem , uma credibilidade ideológica ofensiva à Filosofia, que se constituiu desde sempre e perdura como crítica das razões. Há, pois, que remobilizar a potência da crítica desde a recombinação de seus núcleos mais vigorosos, que tragam à tona as lógicas de legitimação do que em si não se sustenta. Para tal, a combinação inusual do pensamento de Adorno, especificamente na Dialética negativa, com o Derrida de A mitologia branca, entre outros, é de especial fecundidade. O Seminário, aberto a todos os interessados, estudará a obra magna de T. Adorno Dialética negativa em contraponto com textos de Derrida e outros autores, no interesse de expor arqueológica e genealogicamente em que sentido é hoje especialmente válida a expressão adorniana segundo a qual onde o pensar é realmente produtivo, onde é criador, ali ele sempre é também um reagir.
A difusão de categorias como Solidariedade e, especialmente, Alteridade para além do âmbito estrito da filosofia acadêmica, alcançando os mais diversos campos do saber e das ciências históricas e sociais aplicadas, se, por um lado, evidencia a receptividade social contemporânea ao sentido lato dessas noções, por outro exige o aprofundamento filosófico de sua especificidade em termos de gênese, contextualização, solidez conceitual e eventual aplicabilidade teórica e prática. A proposta do presente Seminário é evidenciar como, no conceito de estrangeiro, tem-se uma chave de abordagem conseqüente do sentido geral das referidas categorias no cruzamento do conjunto do pensamento de Emmanuel Levinas e da culminância da obra de Jacques Derrida.
I
1. Na Filosofia temos que respeitar os limites dos paradigmas.
2. Paradigma como matriz disciplinar.
3. Metáforas como identificadores de paradigmas.
4. O exemplar, o caso, a tese como guia do método de investigação.
5. Método e procedimentos.
II
6. Apresentação individual de capítulos das teses.
7. Avaliação pública pelo professor.
8. Discussão.
III
9. Uma tese constitui uma espécie de silogismo.
10. A premissa maior é o estado da questão (Geral)
11. A premissa menor introduz a novidade da tese (Termo Médio)
12. A conclusão tira as conseqüências da compatibilidade entre a afirmação geral e o novo que se pretende desenvolver.
IV
13. Teses não podem ser, o que muitas vezes são, apenas uma das instâncias.
Introdução à Epistemologia de Grupos. Reflexão sobre a emergência dos estudos sobre agência coletiva na epistemologia e sobre a agência epistêmica de entidades coletivas. Introdução à discussão sobre sujeitos plurais. Compreensão dos conceitos de crença coletiva, aceitação conjunta, compromisso conjunto e do papel que tais conceitos ocupam na discussão que emerge da atribuição de conhecimento a entidades coletivas, sobretudo grupos e comunidades. Discussão sobre a natureza e o caráter epistêmico de (a) crenças de grupo, (b) justificação de crenças de grupo, (c) conhecimento de grupo e (d) agência epistêmica coletiva.
A disciplina expõe as raízes dialéticas do falibilismo generalizado a partir de dois movimentos complementares: a) a reatualização das críticas ao mito do dado e ao mito do quadro referencial em epistemologia na Fenomenologia hegeliana; b) a reconstrução histórico-sistemática da epistemologia da ciência no século XX.
Thomas Reid (1710-1796) é o fundador da Escola Escocesa da Filosofia do Senso Comum. Como aspecto marcante de sua teoria do conhecimento, e ao mesmo tempo elemento central de sua réplica ao ceticismo, encontra-se a rejeição da teoria comum das ideias. Tendo sido exposta em diversos de seus escritos, Thomas Reid chega a dizer que a rejeição da teoria comum das ideias é, por si, suficiente para responder aos argumentos ou às ameaças céticas (sobre o mundo exterior) encontradas na filosofia de René Descartes, George Berkeley, David Hume, etc. A maioria dos autores, porém, partilha a convicção de que, embora essa primeira rejeição seja central e emblemática no pensamento de Reid, ela é na realidade apenas um elemento dentro de uma teoria mais extensa, a saber, um elemento que, somado a outros, pode efetivamente constituir uma teoria externalista forte contra o ceticismo. Essa teoria incluiria ainda (e com necessidade) os seguintes elementos: (a) a teoria da percepção de Thomas Reid; (b) a teoria da evidência de Reid, que inclui o estudo explícito e a interpretação cheia de dificuldades implícitas da teoria dos primeiros princípios do senso comum, e ainda (c) aspectos importantes da metodologia filosófica de Reid. Na linha de intérpretes contemporâneos, a teoria do conhecimento de Thomas Reid, ao tomar esses quatro elementos em conjunto, constitui uma estratégia filosófica poderosa contra o ceticismo. Além dos méritos que em si podem apresentar ao pensamento filosófico, os itens da epistemologia reidiana somam-se, atualmente, a teorias externalistas sobre o conhecimento e a justificação de crenças, auxiliando a estabelecer bases do que hoje são epistemologias de função própria dos diversos mecanismos de obtenção de crença.
Num tempo em que a idéia de natureza retorna na filosofia, longe das concepções clássicas, e diretamente desafiada a entrar em contato com o naturalismo nas ciências, impõem-se retomar a visão que a fenomenologia trouxe com separação entre atitude natural e atitude fenomenológica, mundo natural e mundo da compreensão, levando à uma nova interpretação do conceito da relação entre mundo e natureza, que se afasta do conceito naturalista. Mundo, portanto passa a ser interpretado antropologicamente o que quer dizer que o ser humano já está sempre fora do mundo natural porque o envolve numa compreensão que o situa num contexto de referência. Mundo se constitui como lugar que se dá o modo de ser e a estrutura própria do ser humano, onde esse se compreende envolvido consigo mesmo, lidando com os entes disponíveis e operando cientificamente com a realidade simplesmente subsistente.
Heideger, M. Conceitos Fundamentais da Metafísica Mundo, Finitude, Solidão.
Heideger, M. Ser e tempo.
Rothacker, E. Antropologia Filosófica;
Scheler, M. A Posição do Homem no Cosmos;
Plessner, H. Conditio Humana;
Stein, E. Antropologia Filosófica, questões Epistemológicas;
Plantinga, A. Ensaios Diversos.
Trata-se de revisitar o problema da justiça através de leituras contemporâneas que retomam a crítica de Hegel a Kant, assim como a abordagem da fenomenologia e da hermenêutica, em autores como Michel Foucault, John Rawls, Jürgen Habermas e Axel Honneth. Partiremos das recepções de duas das mais importantes obras sobre a articulação entre Ontologia e Subjetividade Fenomenologia do Espírito (1807) de Hegel e Ser e Tempo (1927) de Heidegger para melhor entendermos os debates atuais em torno da Teoria da Justiça e da Teoria Crítica sobre os modelos liberais e os modelos comunitaristas e em que medida pode-se ainda defender uma fenomenologia hermenêutica da justiça.
Trata-se de revisitar a formulação do problema da justiça através de leituras dos dois mais importantes representantes da Teoria Crítica contemporânea (Escola de Frankfurt): Jürgen Habermas e Axel Honneth, sobretudo à luz das suas respectivas apropriações de Kant e Hegel, assim como das suas interlocuções com a fenomenologia francesa, a hermenêutica e a desconstrução em torno da questão do poder e da alteridade (esp. Emmanuel Levinas, Paul Ricoeur, Michel Foucault, Jacques Derrida). O seminário dá continuidade ao trabalho de pesquisa desenvolvido sobre os debates atuais em torno da Teoria da Justiça e da Teoria Crítica sobre os modelos liberais e os modelos comunitaristas e em que medida pode-se ainda defender uma fenomenologia hermenêutica da justiça.
Explicitação da busca e determinação do princípio supremo de moralidade em Kant. Caracterização da concepção de autonomia moral de Kant e de autonomia política de Rawls. Discussão do alcance de uma concepção política de justiça em sua aplicação. Estabelecimento da distinção entre autonomia racional e autonomia política. Caracterização da justiça procedimental pura.
Abordagem jusfilosófica da teoria do reconhecimento e teorias da justiça em diálogo com Hegel, Honneth e Kervégan
Objetivo: Estudar a Filosofia do Direito, atualizando o debate sobre o reconhecimento e a justiça, segundo as abordagens dos intérpretes.
Caracterização do movimento triádico da dialética como método e sistema em Hegel. Confronto entre as concepções de dialética de Hegel e Popper. Discussão sobre a Idéia da liberdade como princípio orientador e fundamentador da Filosofia do Direito. Explicitação do que é necessário e do que é contingente nas diferentes formas de concretização do conceito do Direito. Discussão sobre a possibilidade da liberdade dentro da tese Hegeliana segundo a qual a razão governa a história.
Estudo interdisciplinar das Relações Internacionais na Filosofia Política Moderna e Contemporânea e a Teoria das Relações Internacionais. Estudo dos textos clássicos de Filosofia Política que tratam das relações entre os povos e Estados. Análise das principais correntes teóricas que interpretam as Relações Internacionais e o conceito de soberania, tendo como problema subjacente: O que pode a economia na política? Leitura segundo o método hermenêutico-dialético conectando teoria e prática.
Nosso programa de pesquisa interdisciplinar tem procurado explorar 3 eixos de forma mais ou
menos independente, ao mesmo tempo em que investiga se há alguma correlação entre eles:
1. normatividade ético-social: esp. teorias da justiça
2. epistemologia das ciências sociais: e.g., teoria crítica, epistemologia moral/social
3. modernidade: e.g., ethos social moderno, ethos democrático brasileiro
Neste seminário, devemos explorar dois problemas que unem a concepção moderna de liberdade
(e seus correlatos iluministas de autonomia, emancipação e progresso) a formulações empíricas,
analíticas e continentais das ciências sociais e do naturalismo em torno do problema da
normatividade, à luz de textos representativos de Jürgen Habermas (Entre Naturalismo e
Religião, esp. cap. 6), Jesse Prinz (The Emotional Construction of Morals) e Axel Honneth (Das
Recht der Freiheit). Em particular, será investigada a articulação entre normatividade
epistêmico-teórica e prático-moral e o problema do dualismo e monismo em filosofia da mente.
Desde Hume, costuma-se entender a normatividade como uma concepção prescritiva (em termos
de "ought"), que não pode ser inferida a partir de premissas ou de constatações descritivas (sobre
o que há ou o que é, "is"). Inicialmente desenvolvemos essa linha de pesquisa em função do
problema ético da justificativa de proposições morais prescritivas (tanto em termos metaéticos
quanto ético-substantivos e aplicados). As contribuições de Rawls e Habermas para as suas
respectivas formulações do "equilíbrio reflexivo" e da "teoria do agir discursivo" para uma teoria
da justiça e uma teoria do mundo da vida social balizaram as nossas pesquisas em filosofia social
desde 1995. Uma conclusão provisória se identifica como uma versão do "construcionismo
social mitigado", cujas premissas e teses provisórias podem ser elencadas de forma a elucidar um
"perspectivismo pragmático-formal": anti-intuicionista, anti-realista, semântico-pragmático,
contextualista. Cremos que, como mostraram Dewey, Rawls, Habermas e Honneth, o propósito
maior da ética não é estabelecer princípios morais universais mas resolver problemas práticos, no
sentido aristotélico de praxis e de práticas sociais intersubjetivas, culturais, interpessoais e
institucionais por exemplo, nas relações entre seres humanos em família, associações,
organizações, sociedade e instituições sociais de uma maneira geral.
Segundo Habermas, uma versão fraca ou mitigada de naturalismo seria a única viável de acordo
com um perspectivismo pragmático-formal que viabilize um universalismo moral em resposta ao
relativismo cultural, onde a religião e a moral podem ser compreendidas enquanto representação
social coletiva de um desideratum normativo (de forma análoga a um certo relativismo moral).
Neste caso, a religião e a moral se constituem em "exemplos de correlatos não-explicitados do
mundo da vida, na medida em que mecanismos sutis de internalização, assimilação, sublimação,
repressão, castração, domesticação, racionalização e auto-engano se justapõem e se
complementam no complexo processo de reprodução social". Num certo sentido, somente uma
concepção coerentista poderia dar conta de um sistema de crenças que se mantêm em equilíbrio
reflexivo na própria busca de uma justificação epistêmico-normativa.
Propomo-nos a reexaminar problemas de normatividade e naturalismo na interface entre
abordagens metaéticas e de filosofia da mente de forma a tornar relevante para uma releitura
teórico-crítica da filosofia social (esp. em autores como Habermas e Honneth) abordagens da
filosofia analítica, particularmente em epistemologia social e neurociências. Para tanto, servimonos
da instigante contribuição de Jesse Prinz sobre o inatismo e a origem biológica das emoções
e dos sentimentos morais. A nossa hipótese de trabalho é que o intuicion
A disciplina apresenta uma abordagem histórico-sistemática da Filosofia da Ciência, ao mesmo tempo reconstruindo a trajetória da disciplina - desde suas origens no positivismo lógico até a crítica demolidora de Feyerabend - e oferecendo uma visão contemporânea plausível do que vem a ser ciência.
Platão vive tragicamente o momento político de Atenas. Vendo o homem e o Estado intimamente vinculados, Platão, ao refletir sobre o Estado, reflete também sobre o homem. Na intenção de fundamentar ambos em base comum, reexamina ética, poética, retórica, antropologia e ontologia, áreas que alicerçam futuras indagações. Esta unidade levará em conta os seguintes diálogos: A República, O Banquete, Alcibíades, Fedro, Íon, O político, As Leis, As Cartas.
Eletivas - Mestrado(Clique em "nome" para ver a ementa)
Após a erosão dos ideais humanos avançados pelo idealismo e romantismo e conseqüente desencanto, sobreveio a chamada crise dos humanismos. O século XX notabiliza-se pelo embate e busca de novas propostas humanísticas, sobretudo com Husserl, Heidegger, Sartre, Ricoeur, entre outros. Teoricamente, todas elas são perpassadas por uma concepção de ser humano que tem em comum a visada de ser auto-suficiente em busca de sua emancipação e autonomia. Será possível pensar o ser de outra forma e, consequentemente, repensar as suas relações, sejam quais forem, de forma a fazer aparecer um novo sentido para o homem e seu processo de humanização, com conseqüências na ordem da sociedade, da política, da economia, da educação e assim por diante?
DIALÉTICA NEGATIVA & MITOLOGIA BRANCA: POR UMA CRÍTICA DAS RAZÕES NEBULOSAS
Os tempos que correm assistem a uma estranha teratologia do pensar; os discursos mais rasteiros assumem, por efeito de sofisticados mecanismos de escamoteamento do que os motiva e os sustenta e a que servem , uma credibilidade ideológica ofensiva à Filosofia, que se constituiu desde sempre e perdura como crítica das razões. Há, pois, que remobilizar a potência da crítica desde a recombinação de seus núcleos mais vigorosos, que tragam à tona as lógicas de legitimação do que em si não se sustenta. Para tal, a combinação inusual do pensamento de Adorno, especificamente na Dialética negativa, com o Derrida de A mitologia branca, entre outros, é de especial fecundidade. O Seminário, aberto a todos os interessados, estudará a obra magna de T. Adorno Dialética negativa em contraponto com textos de Derrida e outros autores, no interesse de expor arqueológica e genealogicamente em que sentido é hoje especialmente válida a expressão adorniana segundo a qual onde o pensar é realmente produtivo, onde é criador, ali ele sempre é também um reagir.
A difusão de categorias como Solidariedade e, especialmente, Alteridade para além do âmbito estrito da filosofia acadêmica, alcançando os mais diversos campos do saber e das ciências históricas e sociais aplicadas, se, por um lado, evidencia a receptividade social contemporânea ao sentido lato dessas noções, por outro exige o aprofundamento filosófico de sua especificidade em termos de gênese, contextualização, solidez conceitual e eventual aplicabilidade teórica e prática. A proposta do presente Seminário é evidenciar como, no conceito de estrangeiro, tem-se uma chave de abordagem conseqüente do sentido geral das referidas categorias no cruzamento do conjunto do pensamento de Emmanuel Levinas e da culminância da obra de Jacques Derrida.
I
1. Na Filosofia temos que respeitar os limites dos paradigmas.
2. Paradigma como matriz disciplinar.
3. Metáforas como identificadores de paradigmas.
4. O exemplar, o caso, a tese como guia do método de investigação.
5. Método e procedimentos.
II
6. Apresentação individual de capítulos das teses.
7. Avaliação pública pelo professor.
8. Discussão.
III
9. Uma tese constitui uma espécie de silogismo.
10. A premissa maior é o estado da questão (Geral)
11. A premissa menor introduz a novidade da tese (Termo Médio)
12. A conclusão tira as conseqüências da compatibilidade entre a afirmação geral e o novo que se pretende desenvolver.
IV
13. Teses não podem ser, o que muitas vezes são, apenas uma das instâncias.
Introdução à Epistemologia de Grupos. Reflexão sobre a emergência dos estudos sobre agência coletiva na epistemologia e sobre a agência epistêmica de entidades coletivas. Introdução à discussão sobre sujeitos plurais. Compreensão dos conceitos de crença coletiva, aceitação conjunta, compromisso conjunto e do papel que tais conceitos ocupam na discussão que emerge da atribuição de conhecimento a entidades coletivas, sobretudo grupos e comunidades. Discussão sobre a natureza e o caráter epistêmico de (a) crenças de grupo, (b) justificação de crenças de grupo, (c) conhecimento de grupo e (d) agência epistêmica coletiva.
A disciplina expõe as raízes dialéticas do falibilismo generalizado a partir de dois movimentos complementares: a) a reatualização das críticas ao mito do dado e ao mito do quadro referencial em epistemologia na Fenomenologia hegeliana; b) a reconstrução histórico-sistemática da epistemologia da ciência no século XX.
Thomas Reid (1710-1796) é o fundador da Escola Escocesa da Filosofia do Senso Comum. Como aspecto marcante de sua teoria do conhecimento, e ao mesmo tempo elemento central de sua réplica ao ceticismo, encontra-se a rejeição da teoria comum das ideias. Tendo sido exposta em diversos de seus escritos, Thomas Reid chega a dizer que a rejeição da teoria comum das ideias é, por si, suficiente para responder aos argumentos ou às ameaças céticas (sobre o mundo exterior) encontradas na filosofia de René Descartes, George Berkeley, David Hume, etc. A maioria dos autores, porém, partilha a convicção de que, embora essa primeira rejeição seja central e emblemática no pensamento de Reid, ela é na realidade apenas um elemento dentro de uma teoria mais extensa, a saber, um elemento que, somado a outros, pode efetivamente constituir uma teoria externalista forte contra o ceticismo. Essa teoria incluiria ainda (e com necessidade) os seguintes elementos: (a) a teoria da percepção de Thomas Reid; (b) a teoria da evidência de Reid, que inclui o estudo explícito e a interpretação cheia de dificuldades implícitas da teoria dos primeiros princípios do senso comum, e ainda (c) aspectos importantes da metodologia filosófica de Reid. Na linha de intérpretes contemporâneos, a teoria do conhecimento de Thomas Reid, ao tomar esses quatro elementos em conjunto, constitui uma estratégia filosófica poderosa contra o ceticismo. Além dos méritos que em si podem apresentar ao pensamento filosófico, os itens da epistemologia reidiana somam-se, atualmente, a teorias externalistas sobre o conhecimento e a justificação de crenças, auxiliando a estabelecer bases do que hoje são epistemologias de função própria dos diversos mecanismos de obtenção de crença.
Num tempo em que a idéia de natureza retorna na filosofia, longe das concepções clássicas, e diretamente desafiada a entrar em contato com o naturalismo nas ciências, impõem-se retomar a visão que a fenomenologia trouxe com separação entre atitude natural e atitude fenomenológica, mundo natural e mundo da compreensão, levando à uma nova interpretação do conceito da relação entre mundo e natureza, que se afasta do conceito naturalista. Mundo, portanto passa a ser interpretado antropologicamente o que quer dizer que o ser humano já está sempre fora do mundo natural porque o envolve numa compreensão que o situa num contexto de referência. Mundo se constitui como lugar que se dá o modo de ser e a estrutura própria do ser humano, onde esse se compreende envolvido consigo mesmo, lidando com os entes disponíveis e operando cientificamente com a realidade simplesmente subsistente.
Heideger, M. Conceitos Fundamentais da Metafísica Mundo, Finitude, Solidão.
Heideger, M. Ser e tempo.
Rothacker, E. Antropologia Filosófica;
Scheler, M. A Posição do Homem no Cosmos;
Plessner, H. Conditio Humana;
Stein, E. Antropologia Filosófica, questões Epistemológicas;
Plantinga, A. Ensaios Diversos.
Trata-se de revisitar o problema da justiça através de leituras contemporâneas que retomam a crítica de Hegel a Kant, assim como a abordagem da fenomenologia e da hermenêutica, em autores como Michel Foucault, John Rawls, Jürgen Habermas e Axel Honneth. Partiremos das recepções de duas das mais importantes obras sobre a articulação entre Ontologia e Subjetividade Fenomenologia do Espírito (1807) de Hegel e Ser e Tempo (1927) de Heidegger para melhor entendermos os debates atuais em torno da Teoria da Justiça e da Teoria Crítica sobre os modelos liberais e os modelos comunitaristas e em que medida pode-se ainda defender uma fenomenologia hermenêutica da justiça.
Trata-se de revisitar a formulação do problema da justiça através de leituras dos dois mais importantes representantes da Teoria Crítica contemporânea (Escola de Frankfurt): Jürgen Habermas e Axel Honneth, sobretudo à luz das suas respectivas apropriações de Kant e Hegel, assim como das suas interlocuções com a fenomenologia francesa, a hermenêutica e a desconstrução em torno da questão do poder e da alteridade (esp. Emmanuel Levinas, Paul Ricoeur, Michel Foucault, Jacques Derrida). O seminário dá continuidade ao trabalho de pesquisa desenvolvido sobre os debates atuais em torno da Teoria da Justiça e da Teoria Crítica sobre os modelos liberais e os modelos comunitaristas e em que medida pode-se ainda defender uma fenomenologia hermenêutica da justiça.
Explicitação da busca e determinação do princípio supremo de moralidade em Kant. Caracterização da concepção de autonomia moral de Kant e de autonomia política de Rawls. Discussão do alcance de uma concepção política de justiça em sua aplicação. Estabelecimento da distinção entre autonomia racional e autonomia política. Caracterização da justiça procedimental pura.
Abordagem jusfilosófica da teoria do reconhecimento e teorias da justiça em diálogo com Hegel, Honneth e Kervégan
Objetivo: Estudar a Filosofia do Direito, atualizando o debate sobre o reconhecimento e a justiça, segundo as abordagens dos intérpretes.
Caracterização do movimento triádico da dialética como método e sistema em Hegel. Confronto entre as concepções de dialética de Hegel e Popper. Discussão sobre a Idéia da liberdade como princípio orientador e fundamentador da Filosofia do Direito. Explicitação do que é necessário e do que é contingente nas diferentes formas de concretização do conceito do Direito. Discussão sobre a possibilidade da liberdade dentro da tese Hegeliana segundo a qual a razão governa a história.
Estudo interdisciplinar das Relações Internacionais na Filosofia Política Moderna e Contemporânea e a Teoria das Relações Internacionais. Estudo dos textos clássicos de Filosofia Política que tratam das relações entre os povos e Estados. Análise das principais correntes teóricas que interpretam as Relações Internacionais e o conceito de soberania, tendo como problema subjacente: O que pode a economia na política? Leitura segundo o método hermenêutico-dialético conectando teoria e prática.
Nosso programa de pesquisa interdisciplinar tem procurado explorar 3 eixos de forma mais ou
menos independente, ao mesmo tempo em que investiga se há alguma correlação entre eles:
1. normatividade ético-social: esp. teorias da justiça
2. epistemologia das ciências sociais: e.g., teoria crítica, epistemologia moral/social
3. modernidade: e.g., ethos social moderno, ethos democrático brasileiro
Neste seminário, devemos explorar dois problemas que unem a concepção moderna de liberdade
(e seus correlatos iluministas de autonomia, emancipação e progresso) a formulações empíricas,
analíticas e continentais das ciências sociais e do naturalismo em torno do problema da
normatividade, à luz de textos representativos de Jürgen Habermas (Entre Naturalismo e
Religião, esp. cap. 6), Jesse Prinz (The Emotional Construction of Morals) e Axel Honneth (Das
Recht der Freiheit). Em particular, será investigada a articulação entre normatividade
epistêmico-teórica e prático-moral e o problema do dualismo e monismo em filosofia da mente.
Desde Hume, costuma-se entender a normatividade como uma concepção prescritiva (em termos
de "ought"), que não pode ser inferida a partir de premissas ou de constatações descritivas (sobre
o que há ou o que é, "is"). Inicialmente desenvolvemos essa linha de pesquisa em função do
problema ético da justificativa de proposições morais prescritivas (tanto em termos metaéticos
quanto ético-substantivos e aplicados). As contribuições de Rawls e Habermas para as suas
respectivas formulações do "equilíbrio reflexivo" e da "teoria do agir discursivo" para uma teoria
da justiça e uma teoria do mundo da vida social balizaram as nossas pesquisas em filosofia social
desde 1995. Uma conclusão provisória se identifica como uma versão do "construcionismo
social mitigado", cujas premissas e teses provisórias podem ser elencadas de forma a elucidar um
"perspectivismo pragmático-formal": anti-intuicionista, anti-realista, semântico-pragmático,
contextualista. Cremos que, como mostraram Dewey, Rawls, Habermas e Honneth, o propósito
maior da ética não é estabelecer princípios morais universais mas resolver problemas práticos, no
sentido aristotélico de praxis e de práticas sociais intersubjetivas, culturais, interpessoais e
institucionais por exemplo, nas relações entre seres humanos em família, associações,
organizações, sociedade e instituições sociais de uma maneira geral.
Segundo Habermas, uma versão fraca ou mitigada de naturalismo seria a única viável de acordo
com um perspectivismo pragmático-formal que viabilize um universalismo moral em resposta ao
relativismo cultural, onde a religião e a moral podem ser compreendidas enquanto representação
social coletiva de um desideratum normativo (de forma análoga a um certo relativismo moral).
Neste caso, a religião e a moral se constituem em "exemplos de correlatos não-explicitados do
mundo da vida, na medida em que mecanismos sutis de internalização, assimilação, sublimação,
repressão, castração, domesticação, racionalização e auto-engano se justapõem e se
complementam no complexo processo de reprodução social". Num certo sentido, somente uma
concepção coerentista poderia dar conta de um sistema de crenças que se mantêm em equilíbrio
reflexivo na própria busca de uma justificação epistêmico-normativa.
Propomo-nos a reexaminar problemas de normatividade e naturalismo na interface entre
abordagens metaéticas e de filosofia da mente de forma a tornar relevante para uma releitura
teórico-crítica da filosofia social (esp. em autores como Habermas e Honneth) abordagens da
filosofia analítica, particularmente em epistemologia social e neurociências. Para tanto, servimonos
da instigante contribuição de Jesse Prinz sobre o inatismo e a origem biológica das emoções
e dos sentimentos morais. A nossa hipótese de trabalho é que o intuicion
A disciplina apresenta uma abordagem histórico-sistemática da Filosofia da Ciência, ao mesmo tempo reconstruindo a trajetória da disciplina - desde suas origens no positivismo lógico até a crítica demolidora de Feyerabend - e oferecendo uma visão contemporânea plausível do que vem a ser ciência.
Platão vive tragicamente o momento político de Atenas. Vendo o homem e o Estado intimamente vinculados, Platão, ao refletir sobre o Estado, reflete também sobre o homem. Na intenção de fundamentar ambos em base comum, reexamina ética, poética, retórica, antropologia e ontologia, áreas que alicerçam futuras indagações. Esta unidade levará em conta os seguintes diálogos: A República, O Banquete, Alcibíades, Fedro, Íon, O político, As Leis, As Cartas.