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Nós pesquisamos para construir uma sociedade mais democrática e justa

A PUCRS pesquisa o desenvolvimento e a consolidação da democracia a partir de uma concepção interdisciplinar, avaliando seu potencial de inovação e transformação social

Foto: João Fiorin/PMPAImagine que os únicos brasileiros com direito ao voto são os de olhos verdes e 1,78m de altura. Nem mais, nem menos. Quem estiver fora desses parâmetros não pode expressar sua opinião, sua vontade, sua cidadania.

Imagine agora que você até pode votar e expressar sua opinião, mas não pode ler certos livros ou acessar livremente a internet. A justificativa é de que você não sabe pensar corretamente, que suas ideias não têm qualquer valor. Afinal, você não tem os olhos verdes.

Ao longo da História, não foram raras situações como essa. Muitas pessoas (a maioria, na verdade) foram proibidas de se expressar, às vezes porque eram pobres, porque não tinham terras, porque eram escravos, mulheres, negros… Esses argumentos sempre foram tão criteriosos quanto a cor dos olhos e serviram para tirar da maioria da população o direito de opinar nas decisões que influenciariam sua cidade, seu estado, seu país, sua vida. Como consequência, tão exclusivos quanto participação política tornaram-se os benefícios das leis, que recaíam unicamente sobre quem não precisava de tanta ajuda assim.

Aos poucos, algumas pessoas quiseram ouvir o que as outras pensavam, fossem brancas ou negras, homens ou mulheres, ricas ou pobres. Viram que a diversidade não era tão desastrosa quanto parecia de início. Na verdade, funcionava melhor: com mais opiniões, ficou mais fácil entender a realidade, não só de um grupo, mas de toda a sociedade. Entendendo melhor o mundo, podiam propor soluções mais eficazes e, em vez de leis para punir os excluídos, ofereceram a oportunidade de participação.

Compreender o papel de cada cidadão mudou a forma das decisões políticas. Em vez de privilegiar um pequeno grupo, as leis deveriam ser mais abrangentes, de modo que os governantes precisaram aprender a entender a vontade do povo. Nem todos entendem, nem todos querem entender, mas foi o que se passou a esperar de todos os governantes democraticamente eleitos.

Os anos foram passando, e hoje, no Brasil, o voto é um direito de todos. As formas de participação mudaram. Sabemos que pensar em política (e em políticos) apenas em tempos de eleição não garante as melhores decisões (nem os melhores comportamentos). Temos novos instrumentos: em vez de somente recebermos a informação, também somos seus geradores. Para o bem ou para o mal, espalhar informação nunca foi tão fácil e rápido. Em vez de "falarmos" apenas na hora do voto ou em alguma pesquisa, podemos opinar, quando quisermos, para quem quiser nos ouvir.

A inovação que ocorre nas áreas científicas e tecnológicas não pode superar aquela da democracia. A internet não pode ser um "grilhão virtual", mas deve ser um dos caminhos para a expressão democrática das opiniões.

E, quanto mais opiniões, melhor. É nesse ponto que a globalização se aproxima da democratização. Basta que os instrumentos sejam efetivamente utilizados com esse objetivo, e o acesso seja, desde já, garantido a todos.

O Centro Brasileiro de Pesquisas em Democracia, da PUCRS, desenvolve estudos interdisciplinares em teorias da justiça, partidos políticos e teoria crítica da democracia, envolvendo cinco programas de pós-graduação. Nossas pesquisas reexaminam e investigam a história, o desenvolvimento e a consolidação da democracia, buscando o potencial de inovação e transformação que a verdadeira prática democrática pode trazer à sociedade. A qualquer momento, você pode encontrar a Pesquisa da PUCRS na sua vida. Até na hora das eleições.

Foto: João Fiorin/PMPA

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