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Nós pesquisamos para proteger o meio ambiente.

A PUCRS desenvolve tecnologias avançadas para auxiliar a redução dos gases geradores do efeito estufa, produzidos pela queima de combustíveis fósseis, como a gasolina.

Fim de semana. Você acorda, abre a janela, o céu está limpo, e o sol brilhando. É dia de parque. Você vai para a garagem, pega o carro e, em 20 minutos, vai poder respirar um pouco de ar puro e relaxar em meio à natureza. O trajeto é rápido, mas, apenas para ir e voltar do parque, seu carro vai emitir gases de efeito estufa suficientes para encher 50 balões de festa.

Gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono e o metano, são produtos da queima de combustíveis fósseis, das erupções vulcânicas, da pecuária e da decomposição de matéria orgânica. Ao se acumularem na atmosfera, esses gases possibilitam que o planeta se mantenha aquecido com a energia proveniente do sol. Sem eles, a temperatura média da Terra seria -18ºC, inviabilizando a vida.

Por outro lado, os gases de efeito estufa tornam-se um problema ambiental no instante em que seu acúmulo passa a causar o aumento excessivo da temperatura da Terra. Consequentemente, as geleiras dos polos norte e sul derretem, os ciclos de chuvas são alterados, o nível do mar sobe e diversas espécies correm risco de desaparecer do planeta. Isso vem acontecendo desde a Revolução Industrial, quando se intensificou o uso de carvão e, posteriormente, de petróleo como combustíveis.


No seu ciclo natural, o carbono contido nesses gases é removido da atmosfera de várias formas, entre elas, pelas plantas ou por organismos marinhos. No primeiro processo, a fotossíntese das plantas transforma o dióxido de carbono em oxigênio e matéria orgânica (como a madeira). Com a morte das plantas, o carbono é novamente inserido na atmosfera ou transforma-se em fóssil. No segundo processo, animais marinhos utilizam o carbono na formação das conchas, compostas de carbonato de cálcio. Com a morte desses animais, as conchas depositam-se no fundo do oceano, levando consigo o carbono.

Com o ciclo natural do carbono, grande parte desse elemento é mantida no subsolo e nos oceanos, ficando menos de 1% na atmosfera. Com a extração de carvão e petróleo para uso como combustíveis, o carbono que estava armazenado libera-se na atmosfera, na forma de gases de efeito estufa e em quantidade superior ao que o ciclo natural é capaz de remover. É aí que entra a tecnologia da PUCRS para captura e armazenamento de carbono.

O Centro de Excelência em Pesquisa sobre Armazenamento de Carbono (CEPAC), uma iniciativa da PUCRS e da Petrobras, desenvolve tecnologias para capturar o carbono de fontes emissoras estacionárias, como as indústrias, e para devolvê-lo ao subsolo (armazenamento geológico). Nessa área, diversas tecnologias já são conhecidas, mas os custos ainda são tão elevados que motivam pesquisa para implantação de projetos em escala comercial. Em usinas termelétricas, por exemplo, a tecnologia atual para separação do dióxido de carbono dos demais gases de exaustão pode utilizar até 25% da energia gerada pela usina. E esta é apenas uma parte do processo.

Após a separação, o dióxido de carbono precisa ser injetado com segurança num reservatório, protegido de vazamentos. Existem três tipos principais de reservatórios: aquíferos salinos, campos de petróleo e camadas de carvão. Os aquíferos salinos são enormes depósitos de água subterrânea, a mais de 800m de profundidade, mais salgada que a água do mar e que não pode ser consumida diretamente. Embora tenha capacidade menor que os aquíferos salinos, os campos de petróleo e as camadas de carvão têm uma vantagem: ao ser injetado nesses reservatórios, o dióxido de carbono auxilia a extração de petróleo e gás natural, respectivamente. Essa produção adicional poderá custear a implantação e a operação dos projetos de captura e armazenamento de carbono.

Nós poderíamos sugerir que, em vez do carro, você use uma bicicleta para ir ao parque. Ecologistas, médicos, professores de educação física e, claro, fabricantes de bicicletas diriam que não faltam motivos. Nós concordamos com todos, mas também sabemos que não é possível desligar o mundo. As cidades vão continuar iluminadas, os carros e caminhões vão continuar circulando e as fábricas produzindo. Por isso, nós pesquisamos para desenvolver tecnologia economicamente viável de captura e armazenamento de carbono, mas pode chamar de proteger o meio ambiente. A qualquer momento, você pode encontrar a Pesquisa da PUCRS na sua vida. Até quando vai ao parque passear no domingo.

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