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Nós pesquisamos para erradicar a tuberculose

A PUCRS coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Tuberculose, que pesquisa o desenvolvimento de vacinas para a prevenção, drogas para o tratamento e ferramentas para o diagnóstico da tuberculose.

Mais de 2 milhões de pessoas morrem por ano, em todo o mundo, vítimas de tuberculose. O Brasil, juntamente com outros países em desenvolvimento, abriga 80% dos novos casos registrados. Entretanto, em quase 40 anos, nenhuma nova droga foi disponibilizada para tratar esta doença.

A tuberculose faz parte das chamadas “doenças negligenciadas”, que incluem ainda malária, doença de Chagas, doença do sono e dengue, entre outras. De todas as doenças existentes, este pequeno grupo é responsável por 11% das vítimas. Por outro lado, de todos os novos medicamentos, pouco mais de 1% foi desenvolvido para combater suas causas.

No ano 2000, a Organização das Nações Unidas incluiu na Declaração do Milênio, ao lado de outras grandes questões que devem ser focadas pelos países membros, o combate a doenças infecciosas, como malária e tuberculose. A meta é inverter a tendência atual dessas doenças até 2015.

A tuberculose é causada por uma bactéria, a Mycobacterium tuberculosis. Em 90% dos casos de infecção, a bactéria fica latente, e a doença não desenvolve sua forma ativa. Caso contrário, são usadas atualmente quatro drogas que combatem a bactéria e que, por possuírem mecanismos de ação diferenciados e se administradas corretamente, evitam o surgimento de mutações resistentes aos medicamentos.

A Mycobacterium tuberculosis tem grande capacidade de persistir no corpo humano. Por isso, as drogas que, em laboratório, são muito eficazes necessitam de longos períodos de uso para que a doença seja eliminada. O tratamento dura, em média, 6 meses. Se interrompido precocemente, pode gerar amostras resistentes, mais difíceis de combater. Devido à toxicidade e aos consequentes efeitos colaterais, nem sempre o tratamento é concluído corretamente, e criam-se tipos resistentes da bactéria.

Com sede no Centro de Pesquisas em Biologia Molecular e Funcional do Instituto de Pesquisas Biomédicas, no Parque Científico e Tecnológico da PUCRS, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Tuberculose (INCT-TB) pesquisa e desenvolve tecnologias para controle e tratamento da tuberculose. O INCT-TB busca identificar alvos metabólicos que possam ser utilizadas na fabricação das vacinas e drogas, tanto para os tipos comuns da bactéria quanto para os resistentes à medicação atual. O principal desafio é desenvolver drogas mais eficazes e menos tóxicas, de forma que se possa reduzir o tempo de tratamento da forma ativa da doença (e assim prevenir a formação de mutações) e da forma latente (prevenindo que se desencadeie a forma ativa).

Pelos riscos inerentes ao manuseio da Mycobacterium tuberculosis, especialmente dos seus tipos resistentes, o INCT-TB está equipado com laboratório de contenção de Biossegurança Nível 3 (NB-3), projetado de acordo com as normas nacionais e internacionais. O laboratório conta com controle de acesso, área especial de entrada, sistema de exaustão de ventilação que cria e mantém fluxo de ar direcional (pressão negativa), capela de segurança biológica, autoclave de passagem, entre outros equipamentos. Estas medidas garantem a segurança dos pesquisadores e de toda a sociedade, já que impedem que amostras da bactéria saiam do Laboratório pelo ar ou por equipamentos contaminados.

O INCT-TB já desenvolveu dois compostos que se mostraram muito promissores no combate à tuberculose: o IQG607 e o IQG639. Eles são capazes de matar tanto os tipos comuns da bactéria quanto os resistentes. Como comparação, pode ser utilizada uma dose de dois gramas por quilo, ao passo que uma dose oito vezes menor de um dos medicamentos utilizados atualmente pode matar em duas horas, devido aos danos neurológicos e hepáticos. Além de mais seguros, serão os primeiros farmoquímicos de concepção inteiramente nacional.

Os compostos foram patenteados para proteger os achados; as patentes serão abertas para baratear o produto final. Nosso objetivo é que a tuberculose seja uma doença do passado, manifesta apenas na lembrança. Até na hora de salvar 2 milhões de vidas, a qualquer momento, você pode encontrar a Pesquisa da PUCRS na sua vida.

Acesse o site do INCT em Tuberculose »