A PUCRS inaugurou na manhã desta quarta-feira, 6 de junho, o Instituto do Cérebro do RS (InsCer/RS), que atenderá pacientes com doenças neurodegenerativas e lesões cerebrais. A solenidade teve a presença do Reitor da Universidade, Joaquim Clotet, da ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, do secretário de Estado da Saúde, Ciro Simoni, do diretor do InsCer/RS, Jaderson Costa da Costa, de deputados federais e estaduais, secretários municipais, entre outras autoridades.
Durante o evento, Clotet destacou que o Instituto é o resultado de um projeto conjunto entre governo e Universidade, alavancado e fomentado especialmente pela bancada gaúcha. "Este é um momento de reconhecer que trabalhando juntos somos mais fortes e eficientes em prol do social, da economia e do atendimento inovador para a saúde", declarou. "Nossa pesquisa visa a excelência, é um marco para a neurologia e a neurociência em âmbito internacional".
Maria do Rosário lembrou que a PUCRS, junto a outras instituições de ensino do Estado, tem feito a diferença no País, democratizando a saúde, levando tecnologia de ponta e excelência para toda a população. O diretor do InsCer, Jaderson Costa da Costa, agradeceu a todos que trabalharam para a construção do Instituto, que teve o apoio de diversas entidades. "Somos gratos a todos os amigos que nos ajudaram nessa trajetória. O InsCer/RS se propõe a tratar pessoas com sequelas neurológicas graves, que tem a sua vida pessoal limitada. É um avanço para a área de medicina regenerativa e para a ciência no Brasil".
No local, em frente ao Hospital São Lucas (avenida Ipiranga, 6690 - Porto Alegre), pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), de convênios e particulares, terão acesso a tecnologias revolucionárias de diagnóstico e poderão no futuro receber terapias com células-tronco e novos fármacos. São 2.549 m², divididos em três pavimentos. Atualmente, atuam mais de 60 funcionários, entre pesquisadores, médicos, farmacêuticos, engenheiros e demais especialistas. O investimento total foi de R$ 35 milhões. Construído com recursos do Ministério da Saúde e da União Brasileira de Educação e Assistência, mantenedora da PUCRS, o InsCer/RS recebeu também verbas da Financiadora de Estudos e Projetos/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por intermédio de emenda parlamentar.
O Instituto está também vinculado ao Parque Científico e Tecnológico da Universidade (Tecnopuc). Denominado Tecnopuc Saúde, o espaço é mais uma opção de conexão com pesquisas para empresas parceiras, disponibilizando a competência e os novos laboratórios. Empresas interessadas em realizar pesquisas com a Universidade na área da saúde, terão à disposição a infraestrutura técnica e científica do Tecnopuc Saúde por meio do InsCer/RS.
Com o desenvolvimento gradativo dos projetos, espera-se que no futuro o Instituto funcione 24 horas, durante sete dias da semana e alcance a meta de aproximadamente 4 mil atendimentos até o final de 2012, nas modalidades de pesquisa e assistência, ressalta o diretor. Outros detalhes podem ser obtidos pelo telefone (51) 3320-3485.
Equipamentos de ponta
O InsCer/RS será o único centro de diagnóstico do Estado a possuir um aparelho de tomografia por emissão de pósitrons acoplado a uma tomografia computadorizada (PET/CT) na mesma unidade que um cíclotron (acelerador de partículas), que transforma os átomos estáveis em átomos radioativos. O material radioativo é usado como marcador para "rastrear" anormalidades durante os exames, perdendo em poucas horas ou até mesmo em minutos a atividade. Com esta tecnologia e, principalmente, utilizando marcador de duração muito curta (Carbono-11) é possível diagnosticar e distinguir a doença de Alzheimer de outras demências. No diagnóstico do câncer, a PET/CT é capaz de alterar o tratamento em 15% a 30% dos casos devido à maior acurácia na detecção do estágio da doença.
O Instituto também conta com um aparelho de ressonância magnética de 3 tesla, gerando imagens quatro vezes mais nítidas que os convencionais e possibilitando a avaliação de tumores e a diferenciação de outras lesões. Segundo o radiologista Ricardo Soder, pode ser chamada de "biópsia não invasiva", orientando o cirurgião e o oncologista. Além disso, há um mundo a ser estudado: este equipamento permite a realização de estudos funcionais com possibilidades de respostas sobre déficit de atenção, dificuldades de aprendizagem, dislexia, epilepsia e doenças que afetam a memória, situações em que não há alterações estruturais claras.
Centro produzirá radiofármacos para estudos
O InsCer/RS pretende ser um centro de referência nacional para pesquisa e produção de radiofármacos de meia-vida curta, ou seja, cuja radioatividade decai em pouco tempo. Além da produção de 18F-FDG (Fluordeoxiglicose), com uso consagrado para avaliação de câncer, o Instituto desenvolverá outros radiotraçadores para pesquisa e diagnóstico de diferentes patologias neurológicas como para a doença de Alzheimer. Como se trata de medicamentos é necessária a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Comissão Nacional de Energia Nuclear.